sábado, 14 de março de 2009

Será mesmo assim?


NEVOEIRO

Manuel Alegre tem recusado, graças ao seu admirável sentido de orientação política, deitar-se na cama, cada vez mais estreita e vulnerável, do P.S. E fá-lo com tanta elevação de carácter que isso tem irritado alguns genuínos aparelhistas que nada mais fazem senão branquear os erros políticos do seu venerado chefe.
Augusto Santos Silva, por exemplo, tem sido um teimoso e persistente peão de brega, tenazmente empenhado em se digladiar com Manuel Alegre. Habituado a estridentes “malhadas” politiqueiras, o inefável A.S.S., sempre que Alegre decide admoestar as asneiras do poder, pega no “malho”, com tanta cegueira, que, desorientado e trapalhão, ora malha na eira, ora malha na palha, e raramente, ou nunca, acerta na “espiga”, chegando, por vezes, ao extremo inglório de levar com o próprio malho na testa. E o proveito da “malhada” vai direitinho para a rasa política de Manuel Alegre, que, grão a grão, lá vai crescendo em prestígio e em força.
Agora veio a terreiro essa “pantera” da política que dá pelo nome sonante de José Lelo. Quem o ouviu, há tempos, debitar, falácia atrás de falácia, numa desesperada luta contra a ignorância, só para não ter de estar calado, perante o que lhe era perguntado sobre a querela da Educação, não pode deixar de se indignar com a fúria palavresca com que o deputado boavisteiro mimoseou Manuel Alegre.
Nem Augusto Santos Silva nem José Lelo podem obrigar quem tem consciência a dá-la ou vendê-la a quem quer que seja. Nem pode, nenhum deles, pretender que, no P.S., haja alguém que queira continuar a ser do Partido Socialista., e se recuse, com afinco, determinação e coragem, a ser do Partido de Sócrates ( ao qual – pasmem-se os indefectíveis soaristas – até Mário Soares já pertence).
José Lelo, Santos Silva, Sócrates e outros aparelhistas querem tudo cor-de-rosa? Mas como, se o P.S. está sem cor? Como, se não tem cheiro nem chama, se não tem brilho nem alma?
A verdade é que o P.S. de hoje, tal como o arco-íris antes de vir à luz, é de todas as cores ao mesmo tempo que não é de nenhuma. Talvez Manuel Alegre seja o Arco - Íris por revelar, e um dia destes, surja, como D. Sebastião, do meio do nevoeiro, que, neste momento, escurece o P.S.

CUNHA RIBEIRO

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