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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Kamikaze holandês ataca a Casa de Orange



"A cor predominante hoje é a cor laranja, a cor da família real holandesa, e por isso a maioria dos habitantes e residentes no País trazem vestido algo de laranja nos seus trajes. O Dia da Rainha é o único dia do ano em que as pessoas podem vender coisas na rua sem permissão. É por este motivo que se podem encontram imensas feiras neste dia.
Tradicionalmente, celebra-se o dia da Rainha em 30 de Abril para comemorar o aniversário da já falecida Juliana, mãe da actual Rainha Beatrix. Segundo A Rádio Nederland, a primeira vez em que a festa se celebrou de maneira pública, foi a 31 de Agosto 1885, aniversário da então ainda princesa Wilhelmina, mãe da Rainha Juliana. Os liberais deram a ideia, com a intenção de promover a unidade nos Países Baixos.(...)Este ano, apesar da crise financeira, são esperados na capital cerca de 750 mil visitantes o que constitui uma enorme receita nessa época de crise. Todos os anos, a rainha Beatriz celebra o seu aniversário numa cidade diferente. A família real está hoje na cidade de Apeldoorn, onde haverá um desfile nos jardins do Palácio Het Loo e também na mesma cidade a rainha Beatriz fará a abertura de uma exposição sobre o centenário de sua mãe, a rainha Juliana, falecida em 2004."

Fontes: Radio Pública Holandesa e Embaixada da Holanda, 30 de Abril de 2009

"Um carro em alta velocidade dirigiu-se ontem contra o cortejo da rainha Beatriz da Holanda e matou cinco pessoas, tendo deixado 12 feridos, quatro dos quais em estado grave. Mas não chegou a atingir o autocarro aberto em que viajavam a soberana e toda a família real.
Um cidadão holandês de 38 anos, que ficou ferido e foi hospitalizado sob detenção, terá de responder por homicídio e pelo aparente atentado contra a Casa de Orange-Nassau.
O príncipe herdeiro, Guilherme Alexandre, de 42 anos, e sua mulher, a argentina Máxima, ergueram-se nos seus bancos e testemunharam horrorizados a viatura que se aproximava.

Era o desfile do Dia da Rainha, na cidade de Apeldoorn, 90 quilómetros a sueste de Amesterdão, quando se deu o ataque, colocando em risco uma monarca de 71 anos que desde 1980 se encontra no trono, tendo sucedido a sua mãe a rainha Juliana, que então abdicou."

PÚBLICO - 30.04.2009 - 20h51

Meu Comentário:
Apesar de não nutrir grande simpatia por esta rainha, devo dizer que me sinto muito bem na Holanda e penso que não são atentados deste tipo à monarquia que resolvem os problemas sociais daquele ou de outro país.

Sabemos que não são os reis e rainhas que tomam as grandes decisões dos países europeus, mas sim os respectivos governos.

Não sei se, em vez de ser a Casa de Orange, que simboliza o poder e a tradição na Holanda, fosse um qualquer presidente republicano a chefiar o Estado, os problemas de desemprego , exclusão ou alcoolismo não seriam os mesmos.

Eles existem um pouco por toda a Europa, quer nas sociais-democracias da Escandinávia, onde também reinam regimes monárquicos, quer na Alemanha e França, que são republicanos.

Penso que os problemas sérios de forte desemprego que existem actualmente no Reino Unido não se devem ao facto de existir uma rainha ou uma família real.

Não me posso esquecer que foi a tutela de Tony Blair, que juntamente com Durão Barroso e George W. Bush decidiu a invasão do Iraque, com a guerra que daí adveio.

A Holanda é um país dos mais liberais do mundo, onde o Estado protege os cidadãos como em poucos, dando-lhe mais liberdades do que na maioria dos outros. Toda a gente sabe que é permitido o consumo de cannabis nos coffeeshops e os príncipes herdeiros posicionaram-se contra toda e qualquer discriminação dos homossexuais na Holanda.

Os subsídios de desemprego são mais altos e por mais tempo, a protecção na doença é elevada e não há qualquer censura na liberdade de expressão.
A oferta cultural é enorme e não existem bairros de lata.

Já estão a dizer que eu faço a apologia dos regimes capitalistas?

A questão não é essa: é que apesar do tráfico de droga, que existe em maior ou menor escala por todo o lado, ou do comércio, nem sempre lícito, dos diamantes, a Holanda, em geral, é um país onde as pessoas vivem bem.

Basta lá ir e olhar em volta: o pequeno comércio é respeitado, as pequenas propriedades agrícolas são incentivadas, os projectos de energia sustentável também, a investigação científica e as Artes têm um estatuto de elevada importância. Veja-se o exemplo da existência de uma estação espacial em Leiden.

Estes dados, a par da riqueza imensa da Philips, da Shell, da Boers e de outras multinacionais, que são potentados do capitalismo, são importantes e não podem ser desconsiderados. Sociedades perfeitas, parece que não há mesmo!

Que haja um infeliz, que, por estar desempregado ou ser contra a monarquia se mate contra uma estátua e mate cidadãos pacatos pelo caminho, só porque queria atingir a família real, não posso deixar de lamentar.


Fotos:
1. Rainha Beatrix da Holanda
2. Principes herdeiros Wilhelm e Maxima

1 comentário:

  1. Este texto foi escrito com alguma emoção e sem o necessário tempo para fazer a revisão que sempre se impõe. Isso deu lugar a alguns erros e gralhas, entretanto corrigidos. Pelo lapso peço as minhas desculpas aos leitores. Isto de escrever bem não se compadece com pressas...!

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